Homenagem ao aniversário de Bakunin - Trecho de "A Comuna de Paris e a noção de Estado
"Em enorme maioria, as pessoas vivem em contradição consigo mesmas, e em contínuas confusões; não o
percebem geralmente até que algum acontecimento extraordinário as retira da sonolência habitual e as obriga
a dar uma olhada sobre elas e sobre seu entorno.
Em política como em religião, os homens são máquinas em mãos dos exploradores. Mas ladrões e roubados, opressores e oprimidos, vivem uns ao lado dos outros, governados por um punhado de indivíduos que
convém considerar como verdadeiros exploradores. São
as mesmas pessoas, livres de todos os preconceitos políticos e religiosos, as que maltratam e oprimem conscientemente. Nos séculos XVI e XVIII, até a explosão da
Grande Revolução, como em nossos dias, eles mandam
na Europa e atuam quase segundo seu capricho. É necessário acreditar que sua dominação não se prolongará por muito tempo.
Enquanto os chefes principais enganam e decaem,
os povos com sua consciência, seus servidores, ou os
produtos da Igreja e do Estado, dedicam-se com cuidado a sustentar a santidade e a integridade dessas odiosas instituições. Se a Igreja — segundo dizem os sacerdotes e a maior parte dos estadistas — é necessária para
a salvação da alma, o Estado, por sua vez, é também
necessário para a conservação da paz, da ordem e da
justiça; e os doutrinários de todas as escolas gritam:
“sem Igreja e sem Governo não há civilização nem progresso.”
Não temos que discutir o problema da salvação eterna, porque não acreditamos na imortalidade da alma.
Estamos convencidos de que o mais prejudicial, para a
humanidade, para a liberdade e para o progresso, é a
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verve
A Comuna de Paris e a noção de Estado
Igreja. E pode ser outra coisa? Não cabe à Igreja a missão de perverter as jovens gerações, as mulheres acima
de tudo? Não é ela que por seus dogmas, suas mentiras, sua estupidez e sua ignomínia tende a matar o pensamento lógico e a ciência? Por acaso não afeta a dignidade do homem, pervertendo nele a noção dos direitos
e da justiça? Não transforma em cadáver o que é vivo?
Não corrompe a liberdade? Não é ela que prega a escravidão eterna das massas em benefício dos tiranos e dos
exploradores? Não é ela, essa implacável Igreja, que tende a perpetuar o reinado das trevas, da ignorância, da
miséria e do crime?
Se o progresso de nosso século não é um sonho enganoso, deve terminar com a Igreja..."

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